Autismo: como lidar com a seletividade alimentar
- Diamantina Moreira

- 19 de fev.
- 2 min de leitura

Chega a hora da refeição. Este momento deveria ser um momento de partilha em família. Mais do que apreciar a refeição, deveria servir para comunicar, contar como está a ser o dia, gerir emoções. Contudo, nem todas as famílias conseguem que assim seja, e por diversas razões. Neste artigo vamos dar atenção às famílias que têm que lidar com a Perturbação do Especto do Autismo (PEA). Em muitas famílias, este momento deixa de ser tão tranquilo devido às questões de seletividade alimentar.
Se o seu filho/a apenas aceita alimentos de uma determinada cor, marca ou textura, saiba que não está sozinho — e, acima de tudo, que isto não é falta de educação ou teimosia.
É importante perceber por que razão acontece a seletividade alimentar. Comer é uma experiência sensorial complexa:
Sensibilidade sensorial: o cheiro, a temperatura e a textura (crocante ou pastoso) são sentidos de forma intensa.
Rigidez e previsibilidade: muitas crianças preferem alimentos ultraprocessados (como nuggets ou bolachas) porque o sabor é sempre exatamente o mesmo, ao contrário de uma maçã, que pode estar mais doce ou mais ácida.
Dificuldades motoras: às vezes, a musculatura da mastigação é mais fraca, tornando cansativo comer alimentos mais rijos.
Percebendo exatamente o que se passa com a criança, podemos tentar utilizar algumas estratégias:
Aproximação suave: não insista para a criança comer, ainda que ache que possa estar com fome. Dê oportunidade para a criança, com calma ir interagindo com o alimento;
Interagir: incentivar a criança a mexer no alimento, a lavar se for o caso e colocar no prato dela ou de outra pessoa;
Cheirar: cheire o alimento e tente que a criança faça o mesmo;
Tocar: se a criança ainda não provou ou interagiu com o alimento, permitir que o faça, que pegue e explore a textura;
Tolerar: se a criança não quer que o alimento esteja no seu prato, colocar o alimento no centro da mesa.
"Brincar com a comida": tente preparar o prato como se fosse um desenho, algo que leve a criança a querer mexer, explorar.
As crianças são todas diferentes, e mesmo que utilize algumas das estratégias que aqui apresento, sendo que existem muitas mais, mas é necessário conhecer melhor a criança, pode não funcionar.
Quando procurar ajuda especializada?
Se a dieta do seu filho/a é extremamente restrita (menos de 10 a 15 alimentos), se há perda de peso ou se as refeições causam crises graves de choro, é fundamental o acompanhamento de uma equipa multidisciplinar.
Na Wyclinic, temos uma equipa multidisciplinar de profissionais para ajudar a criança a expandir o seu reportório alimentar ao seu próprio ritmo, respeitando os seus limites e ajudá-lo com estratégias mais específicas para treinar em casa. Ah, sem esquecer, claro o suporte emocional da família.
Diamantina Moreira
|Cédula Profissional OPP, Nº13205|



Comentários