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Medo da guerra nas crianças: sinais de ansiedade infantil e como acalmar o seu filho

  • Foto do escritor: Diamantina Moreira
    Diamantina Moreira
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

 

Por: Diamantina Moreira (Cédula Profissional OPP, Nº13205) | Psicóloga e Diretora Técnica Wyclinic

 

Medo da guerra nas crianças e sinais de ansiedade infantil

Já viu as notícias hoje?

Que emoção sentiu — tristeza, preocupação, angústia?

Agora pense: o que estará o seu filho a sentir ao ouvir essas mesmas notícias?


Vivemos num tempo em que a informação chega mais rápido do que a nossa capacidade de a processar. Com o acesso constante a ecrãs, imagens de guerra e conflitos entram nas nossas casas sem aviso.


Se para um adulto já é difícil lidar com estas emoções, para uma criança — cujo cérebro ainda está a construir a sua noção de segurança — pode ser verdadeiramente avassalador.


Na Wyclinic, sabemos que muitas famílias estão a passar por esta realidade. Se o seu filho tem feito perguntas difíceis ou demonstrado comportamentos diferentes, saiba que não está sozinho.


Como o cérebro da criança reage ao medo

Quando uma criança é exposta a imagens ou conversas sobre guerra, o seu sistema de alerta — a amígdala — pode interpretar essa informação como uma ameaça real.


Ao contrário dos adultos, as crianças ainda não dominam totalmente conceitos como distância geográfica ou contexto global. Para elas, algo que acontece “noutro país” pode ser sentido como algo que está prestes a acontecer perto de casa.


Por isso, o medo que sentem é real — mesmo que o perigo não esteja presente.


5 sinais de ansiedade infantil relacionados com o medo da guerra

Se tem dúvidas, observe se o seu filho apresenta alguns destes sinais:


1. Perguntas repetitivas ou hipervigilância

A criança faz constantemente perguntas como:“Vai haver guerra aqui?” ou “Estamos em perigo?”

Este comportamento é uma forma de procurar segurança e validação.

Responda com calma, de forma clara e adaptada à idade.


2. Brincadeiras e desenhos com temas de conflito

A criança começa a incluir guerra, perdas ou salvamento nas suas brincadeiras ou desenhos.

Estas expressões são uma forma de processar emoções.


3. Alterações no sono ou apetite

  • dificuldade em adormecer

  • pesadelos

  • recusa alimentar

São sinais frequentes de ansiedade em crianças.


4. Regressões no comportamento

Exemplos:

  • querer voltar a dormir com os pais

  • “acidentes noturnos” (xixi na cama)

  • comportamentos mais infantis

A regressão é uma forma de procurar segurança.


5. Queixas físicas sem causa médica

  • dores de barriga

  • dores de cabeça

  • mal-estar antes da escola

Muitas vezes, o corpo expressa aquilo que a criança não consegue verbalizar.


3 passos para acalmar e proteger o seu filho

O objetivo não é esconder o mundo, mas sim filtrar a informação de forma segura.


1. Criar rotinas que transmitam segurança

As rotinas ajudam a criança a sentir previsibilidade e controlo.

  • manter horários regulares

  • refeições em família

  • momentos de brincadeira sem ecrãs

A rotina diz ao cérebro da criança: “estás seguro”.


2. Filtrar e dosear a informação

Evite exposição excessiva a notícias.

  • televisão ligada constantemente

  • imagens violentas

  • conversas alarmistas

Com crianças mais velhas:

  • ver notícias em conjunto

  • explicar o contexto

  • destacar exemplos de ajuda e solidariedade

Isto ajuda a reduzir o medo e a construir esperança.


3. Ser o porto seguro da criança

A criança regula-se emocionalmente através dos adultos.

Se os pais demonstram pânico, a criança interpreta que existe perigo imediato.

Mantenha a calma, transmita segurança e mostre que, dentro de casa, existe proteção.


Quando procurar ajuda profissional?

Se o medo começa a interferir com o dia-a-dia da criança, é importante procurar apoio.


Sinais de alerta:

  • recusa em ir à escola

  • dificuldade em brincar

  • isolamento

  • ansiedade persistente


Como a Wyclinic pode ajudar

Na Wyclinic, trabalhamos o equilíbrio emocional da criança e de toda a família.

Através de:

  • consultas de psicologia infantil

  • acompanhamento parental

  • estratégias de regulação emocional adaptadas à idade


Ajudamos a criança a compreender e gerir o que sente, transformando ansiedade em segurança e resiliência.


Mais do que tratar sintomas, cuidamos do equilíbrio do ecossistema familiar.


Proteger a infância é proteger o futuro

As crianças não precisam de um mundo perfeito — precisam de se sentir seguras dentro dele.


Cuidar da saúde emocional dos mais novos é garantir que a infância continua a ser um espaço de descoberta, crescimento e confiança.


Cuidar do futuro começa por proteger a paz interior das nossas crianças hoje.


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