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O meu filho estuda muito, mas continua a ter más notas. Porquê?

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
3 de set.
4 min de leitura

Por: Viviana Marinho | Psicopedagoga Wyclinic

Ele estuda imenso, passa horas agarrado aos livros e, mesmo assim, as notas não aparecem.

A PREOCUPAÇÃO DE MUITOS PAIS E CUIDADORES



Quando uma criança ou jovem se esforça, dedica tempo ao estudo e os resultados continuam abaixo do esperado, é natural surgir a dúvida: se estuda tanto, porque é que não consegue ter melhores notas? A resposta nem sempre está na falta de empenho. Na verdade, estudar muito não significa necessariamente aprender melhor.


Estudar muitas horas não é o mesmo que aprender bem


“Mas ele passa horas a estudar. Como é possível não saber a matéria?”


O número de horas passado à secretária diz-nos pouco sobre a qualidade da aprendizagem. Uma criança pode passar muito tempo a reler textos, a copiar apontamentos, a sublinhar informação ou a tentar memorizar conteúdos e, ainda assim, ter dificuldade em recuperá-los mais tarde.


Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja “Quanto tempo estudaste?”, mas sim “Como estudaste?”.


Estratégias eficazes: explicar a matéria por palavras próprias, responder a perguntas sem consultar o livro, fazer pequenos testes, relacionar conteúdos ou distribuir o estudo ao longo de vários dias ajudam a tornar a aprendizagem mais eficaz.


Aprender a estudar também é uma competência que precisa de ser ensinada.


O problema é o método de estudo? Nem sempre


Para estudar de forma autónoma e eficaz, é necessário mobilizar várias competências: atenção, memória, organização, planeamento, gestão do tempo, controlo de distrações e a capacidade para perceber aquilo que já se sabe e o que ainda precisa de ser trabalhado.


Uma criança pode querer estudar e esforçar-se verdadeiramente, mas ter dificuldade em organizar a informação, em manter a concentração ou em decidir por onde começar.


Nestes casos, estudar torna-se muito mais cansativo e demorado. O esforço existe — mas nem sempre se traduz nos resultados esperados.


Também podem existir dificuldades específicas de aprendizagem que importa identificar e compreender, sobretudo quando as dificuldades são persistentes e surgem apesar do apoio e do investimento da criança.


“Em casa sabe tudo, mas chega ao teste e bloqueia. Porquê?”


Porque o desempenho escolar não depende apenas daquilo que a criança sabe.


A ansiedade perante as avaliações, o medo de errar, a pressão para obter uma determinada nota ou as experiências anteriores de insucesso podem interferir com a atenção e com a capacidade de recuperar a informação aprendida.

É por isso que algumas crianças conseguem explicar perfeitamente uma matéria em casa e, no momento do teste, dizem que tiveram uma “branca”.


Quando isto acontece com frequência, é importante olhar não apenas para a forma como a criança estuda, mas também para a forma como se sente quando é avaliada.


Nota baixa significa que precisa de estudar ainda mais?


Nem sempre. E esta é uma das questões mais importantes.


Imagine uma criança que passou horas a preparar-se para um teste, abdicou de momentos de lazer, esforçou-se verdadeiramente e recebeu novamente uma nota baixa.


Dizer apenas “para a próxima tens de estudar mais” pode transmitir-lhe a ideia de que todo o esforço realizado não foi suficiente.

Se esta situação se repetir, pode surgir um ciclo difícil: estuda cada vez mais, fica mais cansada, os resultados continuam aquém das expectativas e começa a acreditar que simplesmente “não é capaz”.


Com o tempo, esta perceção pode afetar a motivação, a autoestima académica e a própria relação com a aprendizagem.


Às vezes, a solução não é acrescentar mais uma hora de estudo. É perceber porque é que as horas que já existem não estão a produzir o resultado esperado.


Como posso ajudar o meu filho?


Comece por mudar algumas das perguntas.



EM VEZ DE...


Já estudaste tudo?
Quantas horas estudaste?
Porque é que tiveste esta nota se estudaste tanto?

 EXPERIMENTE...


Consegues explicar-me o que aprendeste sem olhar para o livro?
Qual foi a parte mais difícil?
O que ainda sentes que não percebeste?
Como estudaste para este teste?
O que achas que podemos fazer de forma diferente da próxima vez?

Estas perguntas ajudam a criança a refletir sobre a própria aprendizagem e permitem aos adultos compreender melhor onde poderá estar a dificuldade.


É igualmente importante garantir pausas, descanso, sono adequado e momentos de lazer. Mais tempo de estudo não compensa um cérebro cansado e sobrecarregado.



Quando devemos procurar ajuda?


Quando existe, de forma persistente, uma grande diferença entre o esforço realizado e os resultados obtidos, vale a pena tentar compreender o que está a acontecer.


Atenção e memória

Funções executivas e organização

Métodos de estudo e autonomia

Motivação e relação emocional com a aprendizagem


Uma avaliação psicopedagógica pode ajudar a perceber como a criança aprende e a identificar possíveis dificuldades.


Porque uma nota baixa nem sempre significa falta de estudo, preguiça ou desinteresse. Por detrás de um “eu estudei, mas não consegui” pode existir uma criança que ainda não descobriu as estratégias de que precisa para mostrar aquilo que realmente sabe.


Antes de pedir ao seu filho que estude mais, talvez valha a pena perceber se ele precisa de aprender a estudar melhor.



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