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"Estou a contar os dias para as aulas começarem": O esgotamento parental das férias de verão que ninguém confessa por vergonha

  • Foto do escritor: Diamantina Moreira
    Diamantina Moreira
  • há 9 horas
  • 3 min de leitura
Esgotamento parental

Por: Diamantina Moreira (Cédula Profissional OPP, Nº13205) | Psicóloga e Diretora Técnica Wyclinic


Estamos no período das férias de verão das crianças. Com ele vem a promessa de imagens perfeitas nas redes sociais, famílias a divertirem-se, sorridentes a toda a hora, dias longos com paz e harmonia, crianças a transbordarem de felicidade por estarem de férias. Só que não (em muitos lares).


Entre quatro paredes, nem sempre as coisas funcionam assim. Muitos pais ou cuidadores chegam ao final do dia completamente exaustos, suspiram e em segredo pensam: “Quem me dera que setembro chegasse amanhã”.


Já lhe passou isto pela cabeça? Não se sinta mal. Não é um péssimo pai ou mãe, simplesmente está a viver o esgotamento parental das férias de verão.


E sim, há milhares de pais a sentir exatamente o mesmo neste momento, embora quase ninguém o confesse por vergonha ou medo do julgamento.

 

A rotina que desaparece em Julho

Por mais acelerada que seja, durante o ano letivo, a rotina funciona como uma estrutura de suporte. Os horários para deitar, para acordar, para ir para a escola, para as atividades, as tarefas divididas – tudo está planeado e é cumprido para que funcione.


Em Julho, esta estrutura desaba. Não há escola, horários rígidos, tempos de estudo, explicações… Algumas crianças vão para campos de férias ou para casa de familiares. Outros, ficam com os avós ou mesmo em casa com os pais. É aqui que ocorre o choque. E agora? Como ocupar o tempo enquanto os pais entram de férias (os que entram).


Os pais que continuam em teletrabalho fazem malabarismos entre reuniões e pedidos constantes de atenção. O nível de exigência das competências parentais aumenta: a gestão da ocupação do tempo, as birras por estarem aborrecidos, as guerras entre irmãos, primos ou vizinhos, tentar travar a utilização excessiva dos ecrãs. Ufa. O espaço pessoal dos pais desaparece por completo.


Amar os seus filhos não o torna imune à exaustão física e mental de os ter a exigir a sua energia 24 horas por dia, 7 dias por semana. O sistema nervoso tem limites.

 

 

O perigo da “Mãe/Pai Perfeito” das redes sociais

É a comparação o grande motor da vergonha. Ao ver as redes sociais e ver fotos de outras famílias aparentemente calmas e felizes, automaticamente a sua mente pensa: “Porque é que na minha casa isto não acontece? Com certeza o problema está na minha casa. Porque é que os meus filhos fazem tantas birras? Porque é que eu não tenho paciência?”.


A verdade clínica é que a parentalidade idealizada adoece. O “burnout parental” surge quando tenta que os seus filhos tenham atividades para o dia inteiro, quando tenta manter o sorriso todo o dia, quando tenta ser o guia turístico a toda a hora. Enquanto isso, esquece que precisa de descanso, que precisa de tempo de qualidade para si.


É importante que perceba que quando entra em “esgotamento” não é o único afetado, a dinâmica da casa também fica afetada. Os pais que estão exaustos ficam menos tolerantes, têm reações mais impulsivas o que origina mais ansiedade nas crianças, criando um ciclo vicioso de stress familiar.

 

Algumas estratégias para as férias serem “mais leves emocionalmente”

Para que o resto do verão não se torne uma batalha de sobrevivência, a equipa da Wyclinic sugere três ajuste na dinâmica familiar:

  • Criar micro-rotinas de verão: embora seja importante que exista alguma flexibilidade nas férias, as crianças necessitam de previsibilidade para se sentirem seguras e mais calmas. Consideramos que o cuidado com a hora de ir dormir e regras para a utilização das tecnologias são rotinas que devem ser criadas.

  • Deixar que os filhos sintam tédio: o tédio é muito importante na vida de uma criança. Faz estimular o sentido de criatividade por ocupar o tempo de forma divertida. O aborrecimento é saudável. Não sinta que tem obrigação de preencher todo o tempo deles com planos.

  • Negociar a sua "margem de manobra": as responsabilidades, decisões e mediações não têm que ficar exclusivamente ao seu critério quando existe mais do que um cuidador em casa. Dividam o tempo. Não deve ficar apenas um responsável, nem os dois ao mesmo tempo. Um final de tarde livre para um dos pais caminhar ou simplesmente estar em silêncio faz milagres.

 

 

Se este artigo fez sentido para si e está com dificuldade em implementar estas estratégias em sua casa, a equipa da Wyclinic está disponível para apoiar a sua família a recuperar o equilíbrio e a harmonia.


 



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