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1.º dia de escola! Afinal, quem está mais receoso: a criança ou os pais?

Foto do escritor: Diamantina Moreira
Diamantina Moreira
10 de set.
4 min de leitura

Por: Diamantina Moreira (Cédula Profissional OPP, Nº13205) | Psicóloga e Diretora Técnica Wyclinic


Pois é, a quem tem filhos, isto vai acontecer. Primeiro dia de escola de sempre. Um dia feliz mas rodeado de tantos receios, anseios, saudades, tantas outras coisas…. Verdade? Pois, eu entendo. 


Na viagem para a escola, das duas uma: ou está a fornecer imensas recomendações à criança (ela não ouviu nem metade) ou vão em silêncio. 


O carro, provavelmente foi limpo para este dia especial. A mochila, novinha em folha e colocada estrategicamente na mala do carro. As sapatilhas novas, o cabelo bem penteado. A roupa especial. A viagem até à escola que parece nesse dia rápida demais e a criança que olha fixamente pela janela. Os pais, provavelmente colocaram o dia de férias para poderem acompanhar. E os corações? Com batimentos cardíacos acima da média. Ufa, tanta preparação e emoção.


“O receio no ar, de quem é afinal?” Ou também podemos reformular e questionar: “quem tem mais receio?”


Ver um filho cruzar o portão da escola, quer seja para a entrada na creche, no 1.º ciclo ou a transição para o 5.º ano, é um dos atos de desapego mais profundos da parentalidade. Sem nos apercebemos, deixamos lá a nossa vulnerabilidade mais preciosa e começamos a perceber que o mundo deles começou a crescer sem o nosso controlo direto. 


Nem sempre conseguimos ver a perspetiva da criança: para ela é uma novidade, para os pais “a perda de controlo”. Muitas vezes a ansiedade que a criança sente é apenas o eco amplificado do receio que os adultos deixam transparecer.


Temos sempre que ter presente que as crianças são verdadeiros radares emocionais. Não ouvem apenas o que dizemos (“Vai correr tudo bem, vais adorar!”), elas conseguem entender a tensão nos nossos ombros, a voz diferente, o olhar preocupado quando nos despedimos e os 10000 beijos e mais um e mais um abracinho… e em alguns caso o “amo-te até ao infinito e mais um bocadinho!”.


Face a isto, é importante refletirmos na nossa postura, na mensagem que estamos a passar aos nossos filhos. Se os pais ou cuidadores estão a viver esta entrada na escola com angústia, culpa ou medo da rejeição, a mensagem invisível que passa para a criança é muito simples: “Se o meu pai/mãe está assustado, então este lugar não deve ser seguro.”


Para que este regresso às aulas seja um momento de crescimento e não de trauma, a preparação começa em nós.


4 estratégias para uma transição tranquila (para pais e filhos)


1. Regule a sua própria despedida

Os beijinhos, os abracinhos, os “diverte-te” e afins, tão importantes, não devem ser deixados para a porta da escola. Faça isso à porta de casa. Ao prolongar a entrada na porta da escola ou da sala só aumenta a angústia da criança. Crie um ritual de despedida que seja curto, afetuoso e seguro: um abraço e um beijo, um gesto secreto e uma frase clara que garanta o regresso, como: “A mãe vem buscar-te logo a seguir ao lanche da tarde.” Sorria e saia sem hesitar. Mostre confiança.


2. Dê espaço para a antecipação sem dramatizar

Se possível, visite a escola antes do início das aulas, façam o caminho juntos uns dias antes, falem do espaço, onde fica a casa de banho, a cantina. Estas pequenas ações transformam o inseguro em seguro, o desconhecido assustador num lugar familiar. A previsibilidade é o melhor antídoto para a ansiedade infantil.


3. Cuidado com as expetativas (as suas e as da criança)

É fundamental termos cuidado com o que dizemos à criança, ainda que achemos que é com boa intenção, pois, sem querer, podemos estar a passar alguma pressão à criança. Dizer coisas como: “vais arranjar logo muitos amigos!” ou “agora é que vais uma criança crescida!” ou “vais adorar todas as disciplinas!”. ATENÇÃO: Isto adiciona o peso de ter de corresponder a um papel. Em vez disso, normalize a incerteza: “É normal sentires um bocadinho de frio na barriga. Eu também sinto quando começo algo novo.”


4. Guarde o seu choro para o carro

É perfeitamente normal sentir um nó na garganta, um aperto no estômago e ter vontade de chorar. Isso é humano e demonstra o quanto ama o seu filho. Não é sinal de fraqueza nem de instabilidade emocional.

Então, tente segurar o choro quando entrega a sua criança e guarde o choro para quando está no carro ou noutro lugar. Desabafe com quem o acompanhou ou ligue para alguém em quem confia e não vai julgar. Naquele dia, a criança precisa de ver no seu rosto a certeza firme de que está tudo bem. Não fique já a pensar que não devemos mostrar às crianças quando choramos, não é isso. Mas nem sempre o devemos fazer. Há momentos para tudo. 


O mais importante: Confiar no filho é confiar em si

A entrada para a escola é a prova de que o seu trabalho de amor e proteção está a dar frutos: o seu filho está a ganhar asas para explorar o mundo. Lembre-se de que a capacidade de adaptação das crianças é extraordinária quando sentem que têm uma “base segura” para onde voltar ao fim do dia.


Se sente que a adaptação escolar está a ser uma fonte de sofrimento avassalador,  para a sua criança ou para si, saiba que não tem de atravessar essa fase em solidão.


Na Wyclinic, a nossa equipa de acompanha as famílias nos momentos de transição, ajudando a criar laços de confiança e autonomia. 



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