Ataque de pânico: como reconhecer, o que fazer e quando procurar ajuda


Por: Diamantina Moreira (Cédula Profissional OPP, Nº13205) | Psicóloga e Diretora Técnica Wyclinic
Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto muito intensos, acompanhado por sintomas físicos e pensamentos alarmantes. Pode surgir rapidamente, por vezes sem um perigo evidente, e atingir grande intensidade em poucos minutos. Ter um ataque não significa, por si só, que exista uma perturbação de pânico.
A experiência pode ser assustadora: o coração acelera, a respiração parece falhar e pode surgir a sensação de que algo grave está prestes a acontecer. Como estes sintomas também podem ocorrer noutras condições de saúde, sobretudo quando aparecem pela primeira vez, é importante não assumir automaticamente que “é apenas ansiedade”.
Quais são os sintomas de um ataque de pânico?
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas podem incluir:
palpitações ou sensação de coração acelerado;
falta de ar ou respiração muito rápida;
aperto ou dor no peito;
tonturas, sensação de desmaio ou instabilidade;
tremores, suores, arrepios ou afrontamentos;
náuseas ou desconforto abdominal;
formigueiro ou dormência;
sensação de sufoco;
sensação de irrealidade ou de estar desligado do próprio corpo;
medo de perder o controlo, enlouquecer ou morrer.
Os ataques tendem a começar de forma rápida. Muitas pessoas sentem o pior da intensidade durante um período relativamente curto, embora o cansaço, a apreensão e outros efeitos possam prolongar-se depois.
Uma lista de sintomas não permite confirmar um diagnóstico. Dor no peito, falta de ar, tonturas ou alterações do ritmo cardíaco podem ter causas diferentes e merecem avaliação adequada.
Um ataque de pânico é o mesmo que perturbação de pânico?
Não. Um ataque de pânico é um episódio; a perturbação de pânico envolve ataques recorrentes e inesperados, acompanhados por preocupação persistente com novos episódios e/ou mudanças de comportamento, como evitar locais, transportes, filas ou situações em que a pessoa receia não conseguir sair.
É possível ter um ataque isolado durante uma fase de stress e nunca voltar a tê-lo. Também é possível ter ataques no contexto de outras dificuldades, incluindo outras perturbações de ansiedade, problemas de saúde ou consumo de determinadas substâncias. A avaliação considera a frequência, o contexto, o impacto e outras explicações possíveis.
O que fazer durante um ataque de pânico?
Se estiver num local seguro, procure reduzir a pressa e dar ao corpo tempo para atravessar o episódio. Algumas estratégias podem ajudar:
1. Reconheça o que está a acontecer, sem fechar o diagnóstico
Pode dizer a si próprio: “Estou a sentir uma onda intensa de ansiedade. Vai passar, mas vou pedir ajuda se houver sinais diferentes ou preocupantes.” Esta formulação valida a experiência sem presumir que todos os sintomas têm origem psicológica.
2. Abrande a respiração
Tente inspirar e expirar de forma suave, sem puxar grandes quantidades de ar. Uma expiração um pouco mais longa pode ajudar a sair do ciclo de respiração rápida. Se ficar mais tonto ou desconfortável, retome a respiração habitual. Não utilize um saco de papel.
3. Oriente a atenção para o presente
Repare em elementos concretos à sua volta: o apoio dos pés no chão, a temperatura do ar, três objetos que consegue ver ou sons que consegue ouvir. O objetivo não é “obrigar” o medo a desaparecer, mas reduzir a atenção exclusiva aos sinais internos.
4. Permaneça onde está, se for seguro
Fugir imediatamente pode trazer alívio, mas também reforçar a ideia de que a situação era perigosa. Ainda assim, segurança vem primeiro: afaste-se se estiver a conduzir, junto a máquinas, numa altura ou noutro contexto de risco.
5. Dê tempo ao episódio
Tentar controlar cada sensação pode aumentar a vigilância. Recorde-se de que a intensidade costuma diminuir. Se os sintomas forem novos, atípicos, muito intensos ou levantarem dúvida sobre uma emergência médica, procure ajuda.
Quando é que os sintomas exigem ajuda urgente?
Um ataque de pânico pode parecer um problema cardíaco ou respiratório, e não é possível fazer essa distinção com segurança através de um artigo. Ligue 112 ou procure assistência urgente perante dor intensa ou persistente no peito, desmaio, dificuldade respiratória importante, sinais neurológicos, lesão, risco imediato, ou sempre que exista dúvida razoável sobre uma emergência — sobretudo num primeiro episódio ou com antecedentes médicos relevantes.
Também deve procurar ajuda imediata se houver pensamentos de suicídio, risco de autoagressão ou incapacidade de garantir a própria segurança.
O que fazer depois de um ataque?
Depois do episódio, é comum sentir cansaço, vergonha ou medo de que volte a acontecer. Tente não transformar a experiência numa prova de fraqueza. Um ataque de pânico é uma resposta intensa do organismo; não é uma escolha.
Pode ser útil registar:
quando e onde aconteceu;
o que estava a fazer;
sintomas físicos e pensamentos presentes;
duração aproximada;
sono, cafeína, álcool, medicação ou outras substâncias;
comportamentos de evitamento que surgiram depois.
Este registo não serve para se vigiar constantemente nem para fazer autodiagnóstico. Ajuda a transmitir informação numa consulta e a perceber padrões com um profissional.
Quando procurar avaliação profissional?
Procure avaliação quando os ataques se repetem, quando vive com medo do próximo episódio ou quando começa a evitar situações importantes. Também é aconselhável pedir ajuda se os sintomas interferem com o trabalho, relações, sono, mobilidade ou qualidade de vida.
Uma avaliação pode incluir história clínica, contexto emocional, frequência dos episódios e despiste de causas físicas ou efeitos de substâncias. Em Portugal, o médico de família pode ajudar no primeiro enquadramento médico; um psicólogo pode avaliar o funcionamento psicológico e trabalhar os padrões que mantêm o medo. A resposta deve ser ajustada à situação concreta.
Como é feita a intervenção?
As intervenções cognitivo-comportamentais estão entre as abordagens psicológicas com melhor suporte para perturbações de ansiedade. Na perturbação de pânico, o trabalho pode incluir:
compreender o ciclo entre sensações físicas, interpretações catastróficas e medo;
reduzir comportamentos de segurança e evitamento;
aprender formas mais flexíveis de responder às sensações;
exposição gradual e clinicamente orientada a situações ou sensações temidas;
prevenção de recaída.
Em alguns casos, um médico pode considerar medicação. A decisão depende do quadro clínico, preferências, riscos, benefícios e outras condições de saúde. Não se deve iniciar, alterar ou interromper medicação com base em informação genérica.
O objetivo da intervenção não é prometer que nunca mais haverá ansiedade. É reduzir o medo do próprio medo, recuperar funcionamento e aumentar a liberdade de escolha.
Como ajudar alguém durante um ataque de pânico?
Mantenha uma presença calma e pergunte o que a pessoa precisa. Pode dizer: “Estou aqui consigo” ou “Vamos ficar num local seguro enquanto isto passa”.
Ajuda:
falar devagar e com frases simples;
reduzir estímulos, se a pessoa concordar;
incentivar uma respiração suave, sem impor contagens;
ouvir e respeitar o espaço pessoal;
perguntar se já teve episódios semelhantes e se possui um plano combinado com um profissional;
procurar ajuda médica quando os sintomas são novos, atípicos ou preocupantes.
Evite dizer “acalme-se”, “isso é só da sua cabeça” ou “não tem nada”. Não force contacto físico, não conclua frases pela pessoa e não garanta que é pânico se não houver avaliação.
Pedir ajuda é um passo de cuidado
Os ataques de pânico podem levar a pessoa a organizar a vida em torno do medo de um novo episódio. Quanto mais cedo esse ciclo for compreendido, mais cedo se pode trabalhar para recuperar segurança e autonomia.
Na WYCLINIC, no Porto, a Psicologia Clínica pode ajudar a compreender os episódios, o contexto em que surgem e o impacto que estão a ter. A informação deste artigo é educativa e não substitui uma avaliação individual. Se os sintomas são novos ou levantam dúvidas médicas, procure primeiro assistência adequada.
Autor: Diamantina Moreira



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